sexta-feira, 12 de maio de 2017

Quimioterapia ~ Tudo muito novo!




Efeitos Colaterais 


Em ordem alfabética, vou falar dos principais sintomas que tive ao longo de 12 aplicações do protocolo ABVD e como aprendi a driblar ou diminuir os efeitos colaterais. Fui uma paciente muito tolerante ao tratamento segundo os médicos que me acompanharam nos seis meses exatos em que fiz o protocolo ABVD, tempo mínimo previsto para Linfoma de Hodgkin estadio II. Espero que essas dicas sejam tão boas para você quanto foram para mim!


Alopécia ou queda de cabelo: 


"Vou ficar careca?" - É normal ser a primeira coisa que pensamos entre "Será que vou morrer?" e "Não é justo!" quando recebemos o diagnóstico de qualquer tipo de CA. Mas cabelo cresce e existem muitos acessórios super legais para deixar o visual mais divertido e bonito durante todo o estresse mental e físico (que tem fim!). Meu cabelo começou a cair quando ainda estava grande, minha irmã já estava aqui, e foi iniciativa dela cortar, isso mesmo ela cortou o dela, devo confessar que só assim criei coragem de cortar o meu..kkkkkkk... E assim depois que cortei, uma galera cortou também (Vocês não tem ideia da sensação que é as pessoas estar no mesmo barco de que você, tipo se você afundar eu vou afundar junto), e assim foi: Cássia, Larissa, Helo, Tia Lidia, Mãe, Ana, GabyLucinha, Sheila, Sabrina, Geisy, Viviane, Adla, Bia, Tia Erica, Nani, Viviani.. E aí continuou caindo igual até a décima, quando aumentou muito a queda e me deu pela segunda vez, medo de ficar careca mesmo. Mas nada disso aconteceu, perdi uns 60% da minha juba, os amigos e familiares mais próximos notaram, já quem não me conhecia não suspeitaria. A queda de cabelo varia muito de organismo para organismo. Mas, depois que acabou minha quimio após um mês caiu 80% da minha jubinha, e então decidi cortar, foi aí que do nada decidi chamar as meninas (Geisy e Gaby) e pedir ajuda com o que faria com o resto de cabelo, rs.. 



Gaby / Sabrina / Geisy / Cássia-Eu / Larissa / Adla-Bia / Tia Lidia / Mãe / Sheila / Ana / Lucinha


Viviane


Eu / Nani / Tia Erica / Cássia

Gaby / Eu / Ge ~ Aqui foi o último corte, recente!


Como tornei a experiência mais tranquila: 

Logo que meu oncologista disse que eu poderia ficar careca, pensei em vender meu cabelo e lucrar com o problema. rs.. E todas as meninas que cortaram me deram os seus também.. Mas no final decidi doar.. Ajudar ao próximo é sempre muito bom, e me faz um bem imenso..  Ganhei maquiagem nova para brincar com o meu rosto, sempre tão escondido pelos cabelos e lenços super fashions.. 


Aprendi tudo que escrevi na postagem: 

"Cabelo, cabelo meu... existe alguém mais linda do que eu?" e fiquei mais feliz comigo mesma. Usei shampoos e condicionadores anti-queda. Ajudou.. mesmo... psicologicamente... kkkkk...


Constipação: 

 Tive várias vezes, mas sempre nos três primeiros dias após a aplicação. Como resolvi: Tamarine, mamão, ameixa sempre resolveram.


Imunidade baixa: 

 Tanto por ser um câncer do próprio sistema de defesa do nosso corpo (sistema linfático) e pela quimioterapia atingir exatamente este, a maioria dos protocolos causam uma queda na imunidade, o que pode provocar muitas restrições durante o tratamento. 


Como não fiquei doente: 

Evitei o contato direto com animais, não entrei em piscinas ou no mar, não ingeri alimentos crus e em casa comi frutas sem casca e evitei aglomerações. Imagino que esses cuidados tenham ajudado muito a não adoecer. 


Como ajudei o meu sistema imunológico a se recuperar: 

Tive a sorte de ter pais e família muito ligados a uma alimentação boa e sempre tive acesso a muitas verduras, frutas, legumes e sucos. Sempre cuidadosamente limpas pela minha mãe, que se preocupou com minhas refeições. Procurei sempre caminhar quando disposta,assim mantive meu organismo funcionando melhor com exercícios moderados e circulação sanguínea em movimento. 


Manchas na pele: 

 Um dos efeitos colaterais do protocolo ABDV é o de deixar manchas marrons na pele. Essas manchas são sintomas da Bleomicina. Saíram muitas pequenas manchinhas na região dos braços e mãos. Por isso abusei do protetor solar! 


Como clareei as manchinhas: 

Consegui sumir com apenas uma que saiu bem no dedão da mão e apagar um pouco as outras usando Óleo Corporal. 


Náuseas: 

 Durante as 6 primeiras quimios, senti só uma mudança forte no organismo: constipação. Mas nada que os remédios clássicos e caseiros não tenham resolvido. Náuseas, a partir da oitava quimio que comecei a sentir o estômago desconfortável, empanturrada e cuspindo muita saliva que vinha em excesso na boca (como cachorro que antes de vomitar, saliva muito). Até ai eu estava usando do Vonau para as náuseas e depois passei para o Nausedron, o que aliviou muito o organismo acostumado ao Vonau.. Lembro que quando decidi trocar de remédio, senti vontade como nunca de vomitar. Então comecei a ter muito enjoo depois das aplicações e aprendi a tomar um Dramin. Não melhorou os enjoos, mas pelo menos manteve o mesmo nível até o final do protocolo. 


Como aprendi a melhorar as náuseas: 

Sorvetes de sabores cítricos e de chocolate "esfria" o estômago que parecer ferver! Sempre que me sentia muito mal, tomava Dramin e Plasil junto com o Nausedron. São extremamente relaxantes e dão muito sono. Depois de descansar bem, as náuseas parecem diminuir por um período cada vez mais longo logo após acordar. 


Unhas: 

 Tive esse problema no meio das aplicações, quando as duas unhas das mãos começaram a ficar roxas. Elas não chegaram a cair, mas ficaram bem feias. 


Mais dados: 

 Atualmente, o ABVD, tipo de quimioterapia, é o padrão ouro no tratamento da doença de Hodklin. A abreviatura significa quatro drogas: Adriamicina, Bleomicina, Vimblastina e Dacarbazina. Desenvolvido na Itália da década de 1970, o tratamento ABVD normalmente leva entre seis e oito meses, embora tratamentos mais longos possam ser necessários. 


O que cada droga faz? 


Adriamicina, altera o funcionamento celular, evitando a proliferação das células malignas. 

Bleomicina, Liga-se ao DNA provocando fragmentações.

Vimblastina, assegura que as células cancerígenas não continuem a crescer fazendo com que morram. 

Dacarbazina, causa uma reação química que provoca danos ao material genético (DNA) das células tumorais, o que resulta em morte celular. 


 *Não se auto medique antes de consultar o seu médico, dependendo do medicamento e do protocolo, a união de duas drogas pode ser ruim para você e para o tratamento!"